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Olha, outro hiato!


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Epá, uma pessoa descuida-se e quando dá por si, não escreve há três semanas aqui! Incrível...

Bem, pouco há para contar: vi dois filmes que nunca tinha visto (queria ter postado as minhas críticas, mas na altura deu-me preguiça... talvez o faça esta semana), sendo que um foi o "Eclipse" (6/10) e o outro foi o "I Love You Phillip Morris" (9/10). Para além disso, li uma fanfic completa de Harry Potter (eu odeio fanfics, mas aconselharam-me esta e está brilhantemente escrita, peçam o link se estiverem interessados), continuei a escrever o meu projecto (estou mesmo contente com isto!) e o trabalho continua.

E por falar em trabalhos, a crónica "Na Caixa" vai continuar, pelo menos até acabar o contrato, claro. E o Desafio 20/20 também, mas a minha falta de paciência neste últimos dias (plenamente justificada pelo calor e pessoas parvas) impede-me de me debruçar sobre ambos e continuar estes projectos.

E reparei que a minha escrita hoje está assim um pouco para o sem-sal, não há cá piadas nenhumas sobre corta-unhas a energia solar nem nada semelhante. Enfim... deve ser do calor. Ou das pessoas parvas.

Na Caixa II


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*Junho de 2009*
Ele aproxima-se da caixa, olha-me de alto a baixo, coloca as coisas na passadeira e avança.
- Bom dia! Vai precisar de um saco? - Pergunto, mais por hábito que por ver que é necessário.
- Não, não é preciso. O menino é novo por aqui, não é? - Coloca-se à minha frente, de cotovelos na barreira de plástico que protege o laser.
- Já cá trabalhei o ano passado, no Verão, mas cá estou de volta este ano! - Mostro o sorriso, porque sei que a conversa de ocasião conforta as pessoas e faz esmorecer ligeiramente a barreira cliente-empregado.
- Ai, e ainda bem que sim. Fazem falta mais jovens como o menino, vê-se que trabalham bem - a conversa começa a incomodar-me. - Mas nunca tinha reparado no menino antes, por isso é que perguntei.
- É, não me deve ter apanhado a trabalhar então - desvio a conversa. - São X euros e X cêntimos.
- Tem falta de trocos? - Pergunta-me, com um ar demasiado interessado.
- Hoje não, felizmente - digo com um ar sorridente. Recebo o dinheiro, entrego o troco e o talão. - Obrigado e boa tarde!
- Obrigado eu, eu voltarei, não se vá embora! - O tom de brincadeira é sério demais. O brasileiro na casa dos 50 abandona o sítio.

Na Caixa I


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Ela chega e pousa um pacote de leite e uma caixa de cereais na passadeira.
- Bom dia! Vai desejar algum saco?
- Boum dia, meu meneino! - Exclamou ela, com um fortíssimo sotaque nortenho. - Oulhe, é axeim, o meneino bá trabalhando debagareinho qui eu axeim bou buscando as coiseinhas uma de cada bez e bou pousando na paxadeira, pode xere?
- Oh, minha senhora, mas eu não posso ficar aqui assim à sua espera! - Respondi eu, sem saber se devia rir ou chorar porque a senhora tinha um ar muito decidido na cara. - Não tem uma moedinha para meter no carrinho? Assim leva o carrinho a todo o lado e escusa de andar para trás e para a frente, está a ver?
- Oh, mas eu num bi nenheum carreinho para metiere uma moueda! E num posso andar cum estas cesteinhas cum rodeinhas qui dipois eu fico touda afliteinha das coxtas, meu meneino! - O ar de aflição na cara dela chegou a assustar-me. Comecei a suar.
- Mas os carrinhos estão lá fora, minha senhora, tem que sair por aquela porta ali e eles estão lá todos - apontei, consciente que, por dentro, o que eu mais queria era desmanchar-me a rir.
- Ahhh, num bi aquela puorta! É que xabe, eu já tenho muita falta de bixta no oulho isquierdo, e debe ter sido por ixo que num bi a puorta. Obrigadeinho, meu meneino!
- Ora essa, não tem de quê!
Fui até à casa-de-banho com a desculpa de lavar as mãos, encostei-me à parede e ri que nem um perdido.
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